21 December 2011
Casa vazia
Sinto que o blogspot está me expulsando. Tirou até os quadros das paredes (no lugar das fotos, apenas um X). Colocou tudo num caminhão de mudança. E apagou a luz. Toda vez que entro aqui, é como se vagasse por uma casa vazia, mas cheia de memórias.
17 October 2011
Inversão da lógica
Toda a ideologia capitalista está baseada numa simples proposição que permeia nossas vidas ocidentais:
TUDO É POSSÍVEL.
Mas a fórmula honesta de superação da impossibilidade ideológica seria, na verdade: O impossível acontece.
Isso me explicou Zizek, citando Zupancic, que por sua vez mencionou Lacan.
Nesta fórmula, não existe qualquer promessa, qualquer garantia, qualquer truque. Pode acontecer, mas não quer dizer que acontecerá. Quando acontece, empresta um tom mágico às nossas existências.
(Um bom exemplo disso foi contado por um professor - o melhor que tive contou. A última frase dita por Lênin antes de embarcar no trem rumo a Moscou foi: A revolução não é possível. Quando ele desembarcou, foi justamente o impossível que aconteceu)
TUDO É POSSÍVEL.
Mas a fórmula honesta de superação da impossibilidade ideológica seria, na verdade: O impossível acontece.
Isso me explicou Zizek, citando Zupancic, que por sua vez mencionou Lacan.
Nesta fórmula, não existe qualquer promessa, qualquer garantia, qualquer truque. Pode acontecer, mas não quer dizer que acontecerá. Quando acontece, empresta um tom mágico às nossas existências.
(Um bom exemplo disso foi contado por um professor - o melhor que tive contou. A última frase dita por Lênin antes de embarcar no trem rumo a Moscou foi: A revolução não é possível. Quando ele desembarcou, foi justamente o impossível que aconteceu)
Dor, experiência filosófica
O que dizer para um amingo triste num domingo chuvoso.
Eu não entendo nada de música, mas por algum motivo o Johnny Cash é um dos meus artistas preferidos. Às vezes, estou no longo caminho para o trabalho, completamente de saco cheio, e coloco "Boy Named Sue" para tocar. Fico rindo sozinha no metrô. Nos domingos chuvosos, eu vejo o clipe de "Hurt", que me dá um grande aperto no coração, porque consigo sentir a verdade e a intensidade do Cash cantando. Talvez seja por isso que gosto dele: a mistura de sofrimento, intensidade e humor.
É preciso de um pouco de sofrimento e de uma pitada de angústia para se tornar mais humano, mais complexo, mais amplo. As pessoas que mais me interessam têm algum nó no peito. Mas não é o sofrimento em si que engrandece. É o que fazemos com ele, é como o desafiamos, como o utilizamos para olhar o mundo de forma menos passiva e superficial. O sofrimento é o que nos dá densidade. Ele é arrasador, mas também extremamente criativo pois exige que encontremos novos caminhos. A dor é filosoficamente uma experiência interessante.
Eu não entendo nada de música, mas por algum motivo o Johnny Cash é um dos meus artistas preferidos. Às vezes, estou no longo caminho para o trabalho, completamente de saco cheio, e coloco "Boy Named Sue" para tocar. Fico rindo sozinha no metrô. Nos domingos chuvosos, eu vejo o clipe de "Hurt", que me dá um grande aperto no coração, porque consigo sentir a verdade e a intensidade do Cash cantando. Talvez seja por isso que gosto dele: a mistura de sofrimento, intensidade e humor.
É preciso de um pouco de sofrimento e de uma pitada de angústia para se tornar mais humano, mais complexo, mais amplo. As pessoas que mais me interessam têm algum nó no peito. Mas não é o sofrimento em si que engrandece. É o que fazemos com ele, é como o desafiamos, como o utilizamos para olhar o mundo de forma menos passiva e superficial. O sofrimento é o que nos dá densidade. Ele é arrasador, mas também extremamente criativo pois exige que encontremos novos caminhos. A dor é filosoficamente uma experiência interessante.
15 July 2011
28 February 2011
Silêncio
E cada vez mais, não escrevo. Transcrevo:
"Ouve-me, ouve o meu silêncio. O que falo nunca é o que falo e sim outra coisa. Capta essa outra coisa de que na verdade falo porque eu mesma não posso."
Clarice L.
"Ouve-me, ouve o meu silêncio. O que falo nunca é o que falo e sim outra coisa. Capta essa outra coisa de que na verdade falo porque eu mesma não posso."
Clarice L.
25 January 2011
Pelo sonho é que vamos
"Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.
Chegamos? Não chegamos?
Partimos. Vamos. Somos".
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.
Chegamos? Não chegamos?
Partimos. Vamos. Somos".
01 January 2011
21 December 2010
Ou assim
"porque foi tão fácil conseguir
e agora eu me pergunto "e daí?"
eu tenho uma porção
de coisas grandes prá conquistar
e eu não posso ficar aí parado"
e agora eu me pergunto "e daí?"
eu tenho uma porção
de coisas grandes prá conquistar
e eu não posso ficar aí parado"
20 December 2010
Contagem regressiva
03 December 2010
03 November 2010
Assim é
Uma árvore geme se a cortam
Um cão gane se lhe batem
Um homem cresce se o ofendem
O Evangelho segundo Jesus Cristo
(José Saramago)
Um cão gane se lhe batem
Um homem cresce se o ofendem
O Evangelho segundo Jesus Cristo
(José Saramago)
21 June 2010
Grandes e graves
Trecho de On the Road, quando Sal e Dean chegam ao México pela primeira vez. No geral, não é um livro que me toca muito. Mas essa parte, sim, pela familiaridade com o que já vi e senti nas terras abaixo do Rio Grande. E por achar que o sentido de viajar é buscar lugares onde finalmente aprenderíamos algo sobre o mundo.
"(...) dirigir através do mundo rumo a lugares onde nós finalmente aprenderíamos algo entre os lavradores indígenas desse mundo, a origem, a força essencial da humanidade básica, primitiva e chorosa que se estende como um cinturão ao redor da barriga equatorial do planeta, desde a Malásia (a longa unha da China) até o grande subcontinente indiano, passando pela Arábia e pelo Marrocos, cruzando os próprios desertos e selvas do México, sobre as ondas da Polinésia para chegar ao Sião místico da Túnica Amarela, sempre ao redor, ao redor, de modo que se pode ouvir a mesma lamúria nostálgica desde as muralhas arruinadas de Cádiz, na Espanha, até vinte mil quilômetros mais além, nas profundezas de Benares, a Capital do Mundo. Essas pessoas eram indubtavelmente índias e não tinham absolutamente nada a ver com os tais Pedros e Panchos da tola tradição civilizada norte-americana. Tinham as maçãs do rosto salientes, olhos oblíquos, gestos suaves; não eram bobos, não eram palhaços; eram grandes e graves indígenas, a fonte básica da humanidade, os pais dela".
"(...) dirigir através do mundo rumo a lugares onde nós finalmente aprenderíamos algo entre os lavradores indígenas desse mundo, a origem, a força essencial da humanidade básica, primitiva e chorosa que se estende como um cinturão ao redor da barriga equatorial do planeta, desde a Malásia (a longa unha da China) até o grande subcontinente indiano, passando pela Arábia e pelo Marrocos, cruzando os próprios desertos e selvas do México, sobre as ondas da Polinésia para chegar ao Sião místico da Túnica Amarela, sempre ao redor, ao redor, de modo que se pode ouvir a mesma lamúria nostálgica desde as muralhas arruinadas de Cádiz, na Espanha, até vinte mil quilômetros mais além, nas profundezas de Benares, a Capital do Mundo. Essas pessoas eram indubtavelmente índias e não tinham absolutamente nada a ver com os tais Pedros e Panchos da tola tradição civilizada norte-americana. Tinham as maçãs do rosto salientes, olhos oblíquos, gestos suaves; não eram bobos, não eram palhaços; eram grandes e graves indígenas, a fonte básica da humanidade, os pais dela".
14 June 2010
O que fica
Não há tempo para tanta gente e muita coisa. Nos reduzimos, nos concentramos, nos economizamos. Vai ficando o essencial. O que não pode ser adiado ou substituído. O que é vital agora.
13 June 2010
20 April 2010
O barco e o porto
O barco só está seguro no porto. Mas ele não foi feito para isso. Navegar é preciso, sempre.
06 April 2010
E agora a terça chuvosa
Acordei às 6h30 para nadar na piscina do clube. Chovia na minha janela. Voltei a dormir. Às 7h30, a família reunida na sala assistindo ao noticiário sobre o temporal. Dormi mais um pouco. Depois comecei lendo os emails, passei pelos jornais, olhei os sites, avancei no livro da cabeceira. Por fim, me veio Clarice:
"O amor já está, está sempre. Falta apenas o golpe da graça - que se chama paixão".
"O amor já está, está sempre. Falta apenas o golpe da graça - que se chama paixão".
01 March 2010
Leitura de segunda chuvosa
"Para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo agora, aqueles que nunca bocejam e jamais falam chavões, mas queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações".
(On the road, Jack Kerouac)
(On the road, Jack Kerouac)
24 February 2010
Falência múltipla do cérebro
As conexões neuroquímicas do meu cérebro demonstram o mesmo vigor do atletista predestinado a ganhar a corrida. Uma explosão da seta em direção ao alvo. Às vezes, vejo tudo tão claro à minha frente. Vejo com velocidade, se isso é possível. De repente, a profundidade do campo se retrai, consigo absorver todos os objetos - as pessoas - os gestos - as possibilidades - as consequências diante de mim. Consigo entender o enigma num segundo.
Mas isso de pouco vale para alguém que, quando respira mais profundamente, não pode evitar de sofrer um pouco sabe-se lá do quê. Um pouco do passado, do irremediável, do inexplicável, do incompreensível.
Mas isso de pouco vale para alguém que, quando respira mais profundamente, não pode evitar de sofrer um pouco sabe-se lá do quê. Um pouco do passado, do irremediável, do inexplicável, do incompreensível.
16 February 2010
Inventário do irremediável
Com nada, absolutamente, a dizer, faço minhas as palavras de Caio F.:
"... depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro".
E esse essencial e verdadeiro já não precisa ser dito. Tempestades e naufrágios também não.
"... depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro".
E esse essencial e verdadeiro já não precisa ser dito. Tempestades e naufrágios também não.
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