27 January 2009

I'm a little bit Macunaíma too

Parajuru, município de Beberibe, estado do Ceará.

13 January 2009

Diário

FORTALEZA, 13 de janeiro. Nesta última madrugada, completaram duas semanas desde que cheguei à capital do estado do Ceará, a 2805 Km do Rio de Janeiro. Há 13 anos, fiz esse mesmo trajeto, mas de carro. Nessa época, escrevi meu primeiro diário - era um diário de bordo que comentava as paisagens, as pessoas, as cidades, os sertões... Depois, vieram outros, ora mais apressados e digitalizados, ora mais conscientes e emotivos. Nesta manhã, em que acordei olhando para um céu corriqueiramente azul, lembrei não ter escrito ainda qualquer linha sobre essas semanas aqui. Apenas enviei fotos e falei ao telefone. Talvez porque não me sinta viajando no estilo clássico e também persista algo de familiar e íntimo no que, sob protestos do Rômulo, chamo equivocadamente de "Nordeste":




03 December 2008

Tanta vida explodida

Eu, que suporto com bravura as dores agudas, nada sei sobre os mistérios do claustro.

Nesses dias de ócio, acabei por associar, com nostalgia, fatos antigos e dispersos, que talvez me sejam peculiares. No primeiro dia de jardim de infância, com 3 anos, corri em disparada em direção à piscina da escola e pulei na água feito mártir. Estava de roupa e bati com o nariz (ou a boca) na borda. Criei um tumulto no lugar e fui entregue à minha mãe com algum sangramento na face. Apesar dos efeitos colaterais, terminei esse dia com saldo positivo, achando que a escola era pura aventura.

Essa cena se repetiu inúmeras vezes, em diversos lugares: de uniforme, de pijama, de vestido, correndo loucamente para pular n'água. Em tempos imemoriais, essa era a forma de me atirar na vida, de torná-la toda minha num instante, de compensar a inquietação. Sem planejamento ou autorização, eu me atirava no sonho mais escorregadio e irracional: a sensação vital da felicidade.

Felicidade que não está embutida no acúmulo de fatos corridos, mas que toma nossos corações e mentes numa explosão particular. Explodir é preciso. A primeira lei do universo, desde o Big Ben.

O que me leva a recorrer a FG:

Todos te buscam, facho
de vida, escuro e claro,
que é mais que a água na grama
que o banho no mar, que o beijo
na boca, mais
que a paixão na cama.
Todos te buscam e só alguns te acham. Alguns
te acham e te perdem.
Outros te acham e não te reconhecem.
e há os que se perdem por te achar,
ó desatino
ó verdade, ó fome
de vida!


25 November 2008

A Crise

Crack da Down Jones.
Crack da Nasdaq.
Crack da Bovespa.
Crack do osso do meu pé.

Cotação de Carla Marques Ltda nesta segunda-feira: -2,0%.

* O BC poderia liberar uns dólares para acalmar meu mercado.

* Analistas chantageados por mim falam em tendência de alta.

* Acompanhem os próximos capítulos desta crise. Com lágrimas!

14 November 2008

Miudezas provisórias

Coisas miúdas
Que a gente pega com a mão

Onda do mar
Que te cobre toda

Mãe no aeroporto
Que espera sorridente

Feixe de sol de inverno
Que entra no quarto de manhã

Música clássica do vizinho
Que chega de surpresa

Cachoeira na cidade grande
Que te deixa resfriada (mas feliz)

Última página de livro bom
Que dá vertigem na rua

Crianças no deque da Lagoa
Que riem e tropeçam

Gente bizarra
Que comemora falta de luz
Que pula debaixo da chuva

05 November 2008

Tatuagem, borrão e sol

Voltei a sonhar com a tatuagem. Desta vez, era enorme e encobria meu ombro esquerdo. Inconformada, me perguntava como havia permitido que aquela imagem fosse tecida na minha pele. Não parecia mais que uma mancha, em que o tom vermelho se destacava dos outros. De alguma forma, porém, a tatuagem derreteu e já não estava mais no ombro. Na seqüência, minha boca aparecia envolta num borrão vermelho, como se meu batom tivesse se espalhado por seus cantos. De todos os pesadelos possíveis, por que a tatuagem? Acordada, vejo-as em toda parte e me pergunto o que há nelas que me aflige quando sonho. Tecer uma trama eterna, talvez. Mas o que é eterno, afinal? A dúvida que atravessa nossas noções de tempo e de espaço no mundo. Aqui estamos, até quando?

Fora isso, sinto cheiro do fim do ano quando o ar aquece em novembro. Sinto 2008 encerrado. E agora só quero um pouco de sol.

03 November 2008

Dentro da noite veloz

O que pensar quando se encontra uma folha solta com a seguinte inscrição a punho (meu próprio punho):

"HOMEM MORIBUNDO ESCREVE: Deixo meus bens à minha irmã não ao meu sobrinho jamais será paga a conta do alfaiate nada aos pobres."

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Encerro meu domingo considerando que a agonia do projeto da intelectualidade é a sua tendência ao infinito.

Irrealizado será. Como dois e dois são quatro.

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Como dois e dois são quatro
Sei que a vida vale a pena
Embora o pão seja caro
E a liberdade pequena

(FG, meu poeta mais querido)

15 October 2008

Cordão de rosas e espinhos

Já não posso encontrar no dicionário de sonhos da minha avó o significado de estar tatuada com desenhos discretos ou extravagantes. Se na infância eu via sempre meu pai ser atacado por gatos selvagens debaixo da chuva, hoje me vejo tatuada por um cordão de rosas e espinhos que envolve minha cintura.

Tento tirá-lo, mas não posso, porque atravessa minha pele, minhas células, minh'alma. Eu escolhi tê-lo sem escolhê-lo de verdade. Eu disse: Sim. Mas não quis dizer. Ando na noite escura buscando o significado daquela escolha, imaginando uma forma de estancar o sangue que escorre dos meus espinhos.

Na madrugada em que sonhei lavar roupas num campo de concentração, acordei com músculos doloridos e a sensação de que algo daria errado caso um Rolls-Royce preto passasse em alta velocidade. Outra vez, fui empurrada por uma avalanche de neve do pico de uma montanha até as águas quentes de uma praia, onde um francês me ofereceu um armário exclusivo para guardar meus casacos.

Sonhos são flechas que atravessam meus nódulos de dor, neurônios pirados, fantasmas e espectros, ímpetos de fuga, reservatórios de alegria... Apontando para a soma disso tudo, que eu não sei bem o que é.

09 October 2008

El triste 8 de octubre

"É difícil para alguém como Che Guevara movimentar-se bem nos corredores dos ministérios como o fazia pelas veredas de Sierra Maestra. Difícil a adaptação à nova fase, difícil aceitar com tranqüilidade a passagem do "grupo em fusão", quando guerrilheiros e sociedade confundem-se em um único desejo comum - viver sem grilhões, em paz e felicidade -, para o momento da institucionalização da revolução, quando se torna mais séria - mais amarga. Guevara parte para novas aventuras. Aventuras que reuniam as viagens de aprendizado político com aquelas da "formação do espírito" do "homem novo". (...)

Como Licurgo, o Che abdica do poder e a ele prefere continuar em sua atividade de preceptor, pedagogo e legislador (...). Em plena floresta boliviana (...), sentado no chão, um fuzil-metralhadora repousando a tiracolo, um homem barbudo estranho lê o Fausto do Goethe (...) imagem que dá bem a idéia de sua complexidade e sofisticação e que unifica todos os aspectos do guerreiro-legislador no sentido de Montesquieu e Rousseau: um condottieri-legislador ou, valendo-se de Rousseau, um guerrilheiro bom e virtuoso".

(Luiz Roberto Salinas Fortes. "Che, Vinte Anos Depois").

01 October 2008

Nosso próprio tempo


Eu, ele, a distância do resto, a proximidade de nós.

Eu amo de verdade.

16 September 2008

Balzac e a pequena farmacêutica

Ela é pequena. Tem 1,52m. Quando percebi pela primeira vez a diferença entre a sua altura e a dos demais mortais, perguntei sem delongas: "Mãe, você é anã?" Ela disse que era apenas pequena, assim como toda sua família, e que talvez eu ficasse também. Alcancei a inacreditável marca de (quase) 1,70m.

Além das notáveis diferenças físicas, somos água e vinho em outros aspectos da vida. O que ela tem de pragmática, eu tenho de idealista. Ela é fã dos números e eu, das letras. Quanto mais ela desconfia das pessoas, mais acredito nelas.

Minha mãe - que, como se sabe agora, é pequena, nunca anã, pragmática, numérica e desconfiada - ingressou recentemente num mundo perigoso. O meu mundo. Percebi que algo havia mudado na casa quando, ao entrar na cozinha, avistei três panelas borbulhando em cima do fogão e uma pessoa compenetrada na leitura... de Honoré de Balzac.

E mais: ela havia passado a contar a história em capítulos em plantões semanais no seu laboratório. A cada semana, oferecia um trecho da saga aos colegas de trabalho. Pragmaticamente, me explicou o que achava de A Mulher de Trinta Anos: "Acho engraçado tanto amor e dor".

Há alguns meses, minha mãe começou a me pedir livros. Desde então, passaram por suas mãos, além de Balzac, Ernest Hemingway, Gabriel García Márquez, Milan Kundera e José Saramago... No início, tentava instrui-la sobre a importância de cada autor e de cada livro.

Ela, porém, fazia sempre a leitura que bem entendia e me respondia coisas terríveis. O Velho e o Mar? "O velho é chato demais, merece morrer". O Amor nos Tempos do Cólera? "Florentino Ariza não ama aquela mulher, é um doente mental. Essa é a única explicação". Ensaio sobre a Cegueira? "Os cegos precisam se civilizar de novo. Não agüento tanta sujeira".

As constatações nuas e cruas geraram debates e brigas sob este teto. Aos poucos, as mudanças ficaram mais claras, com suas referências aos autores ou aos livros em conversas corriqueiras, seu interesse em decifrar o sentido de uma passagem e sua vontade ansiosa de comentar o final da história.

Sempre que restam poucas páginas até o fim, em tom de aviso, ela fala para sua bibliotecária-filha: "Está acabando, qual será o próximo?" Por hora, ela ganhou dois: Todos os Nomes, Saramago, e O Estrangeiro, Camus.

Dos personagens cegos que ela mencionou nos últimos dias, perguntou, achando graça, se eu lembrava da "mulher que disse aonde tu fores, eu irei". Sim, eu me lembro, essa sou eu, mãe.

10 September 2008

Silêncios de resistência

- Qual o papel do escritor brasileiro hoje em dia? - pergunta o entrevistador de TV cheio de entonações.

- O de falar o menos possível - responde Clarice Lispector, num dia que julgou estar cansada, mas negou ser infeliz e solitária, no longíquo ano de 1977.

http://www.youtube.com/watch?v=9ad7b6kqyok
http://www.youtube.com/watch?v=TvLrJMGlnF4&feature=related
...
(Tenham paciência com o apresentador animadinho)

30 August 2008

Trechos, torres e lugares no mundo

Dia chuvoso de leituras (anti-) psicanalíticas e (anti-) existencialistas, que me trazem a certeza da superação de determinadas indefinições (em outras palavras, a certeza do "a que vim fazer neste mundo"). Rômulo conhece os prenúncios da pergunta recorrente - "Posso ler um trecho para você?" - e parece se arrumar para ouvi-lo. É certo que me acusa de distraída, por perder o fio da atenção quando ele me oferece "um trecho". É certo também que as idéias entram em mim de maneira menos organizada do que nele. De qualquer forma, enquanto as idéias voam desvariadas por todos os lados, olhamos para o mesmo céu, nos reconhecemos nele, nos reconhecemos em nós dois.

Cada vez mais percebo ser difícil o debate público (e acho um momento heróico dos homens públicos sinceros e complexos). No meu caso, debate público se refere a uma arena bem restrita, quase privada a amigos, conhecidos e semi-desconhecidos. O obstáculo está no começo de todas as discussões, que jamais é realmente um "começo", pois as pessoas já trazem em si uma bagagem de pressupostos e concepções (refletidos, irrefletidos, folclóricos, de senso comum etc). A sensação Torre de Babel me persegue.

Acho que a explicação do problema pode ser a seguinte: Um saber é realmente adquirido apenas quando o processo de aprendizado se apaga da memória. O encadeamento de regras, argumentos e pressupostos - tão necessário e claro numa fase - passa a ser internalizado no fim do ciclo: o indivíduo simplesmente "sabe". Como andar de bicicleta, falar uma língua ou ter uma visão de mundo.

Uma simples idéia, portanto, significa um longo processo de escolhas conscientes e inconscientes. Nunca pode ser resumida a uma tomada de posição imediata num debate. Para que um debatedor pudesse realmente convencer o outro, teria que voltar muito atrás no seu processo de aprendizado (já internalizado) e mostrar ao concorrente as suas razões mais profundas.

Algumas poucas pessoas, entretanto, nos surpreendem por terem uma consciência nata dessas nossas razões mais profundas. São com as quais nos comunicamos sem palavras. Mesmo que nem sempre concordem com a superfície dos nossos argumentos imediatos. Antes de tudo, são um contraponto à Torre de Babel na qual nos metemos ao nascer. São, talvez, nosso verdadeiro lugar no mundo.

05 August 2008

Porque Marx não serve para nada

Rômulo chegou esbaforido de uma incursão na graduação. A disciplina era História do Pensamento Econômico II, cuja ementa prevê a leitura do livro I de O Capital. Difícil ter estômago para graduação, sobretudo porque 99% das pessoas que nela estão foram levadas compulsoriamente até lá, com a missão básica de conseguir um diploma qualquer que lhes garanta um emprego burocrático e uma dignidade mínima na sociedade contemporânea. Universidade é um nome que perdeu o sentido: longe de parecer um universo - infinito, complexo e revelador -, mais parece, tantas vezes, a sala de espera do dentista, em que criaturas distraídas folheiam revistas sem menor critério. Quantas pessoas conseguiram se formar, em instituições públicas ou privadas, sem terem lido sequer um livro inteiro?

Mas voltando ao caso de hoje. Rômulo me conta que o professor era um homem de 60 e poucos anos, sisudo mas afável. Ele pergunta se alguém na turma já havia tido contato com a obra de Marx. Um garoto se adianta: "Odeio Marx. Ele não serve para nada". O professor argumenta: "Mas você já leu alguma coisa do autor?". Não havia lido. A Economia é povoada pelo que gostamos de chamar de "ogros matemáticos". É o tipo de cara que exercita bastante os músculos e promete que fará seu primeiro milhão aos 20 e poucos. Acredita ter sido tocado pelo dom da inteligência, pois consegue resolver equações matemáticas e sofre de pró-atividade mercadológica.

O professor parece estar psicologicamente preparado para lidar com essa gente "do futuro". Rômulo faz uma referência ao nome do filme dos irmãos Cohen: "No country for old men". Filme ruim, título ilustrativo. O veterano continua: "Por muitos anos, tentei explicar por que Marx não serve para nada. Agora já tenho uma resposta".

Numa tribo sem História ou, melhor seria dizer, numa sociedade em que as organizações e relações sociais se mantêm inalteradas ao longo dos anos, tanto faz observá-la hoje ou dois séculos atrás. Ela se converva igual, pois todos indivíduos, em todas as gerações, se inserem naturalmente no grupo. Não existem margens que se multiplicam. Nessa sociedade, Marx é completamente inútil.

Muitos estão convencidos que vivemos numa sociedade sem História, que desigualdades e opressões de várias espécies não têm origem no tempo histórico. Tantos jovens assimilaram que o mundo tal como vemos hoje sempre existiu e sempre existirá, equiparando-o a uma tribo de equilíbrio perfeito, em que mesmo as características ruins têm sua razão de ser - ou, como se diz hoje, a existência miserável de 2/3 de pessoas no planeta é a condição básica para que a última parte viva bem.

Nesse "equilíbrio perfeito", cada um se vê "livre" (no sentido mais escroto da palavra) para cultivar seu intimismo à sombra do poder, para fazer um milhão de reais, para consentir um projeto que mutila em massa carne e alma humanas... Afinal, a História não existe mesmo e as pessoas são responsáveis apenas pelo curto espaço de tempo em que respiram e consomem.


(Para Rômulo, como tudo que escrevo e penso).

25 July 2008

Em busca da finalidade perdida

Catarina saiu pelas ruas com seu vestido florido, atravessando vendavais de esquina, tempestades de quarteirão, praças desertas e becos lotados. Marchou, furiosamente, por uma hora e quarenta e três minutos até se lembrar o motivo pelo qual havia saído. E percebeu, pela primeira vez, que não poderia mais voltar.

Então, caminhou por mais uma hora, até estar bastante distante, e concluiu que deveria abandonar a cidade. Diante dos muros baixos de uma casa cor de tijolo, decidiu que teria 15 dias para cruzar a fronteira. 'Um dia para me despedir de cada ano que vivi aqui'. Tratou de excluir os três primeiros anos, que sua memória não alcançava, e alguns outros que julgava terem sido desprezíveis.

Havia superado Almodóvar, Bertolucci ainda não, os beatniks, a vodka, as solas dos pés com cacos de vidro, a disposição aos acasos, as festas que podem desabar, os jornais, sobretudo os jornais e as revistas, os refrigerantes nojentos, eca!, os papos de drogado acomodado, os planos eternos (ou eternamente irrealizáveis), a histeria de 'não amar, não amar, não amar...' (Ó, que sofrimento!). No auge de uma corrida desatinada, percebeu que alguém deveria ter mexido naquela faixa amarela com a inscrição "Fim". Tentou pedir informação: Onde vai, onde vamos? Mas, acredite você, todos estavam se debatendo sozinhos como aquelas moléculas acaloradas das aulas de química. Que cena estranha. "Alguém está bagunçando com a gente, pessoal!", ela gritou. Não era para ser assim. "Desliga o maçarico, está todo mundo ficando doido".

Pelo menos, a epifania teve trilha sonora do Beethoven e luz celestial. Mentira. Foi assim: ela ficou puta da vida e leu na placa cinza Bem-vindo ao deserto do real.

E Catarina é uma radicalzinha. "Sou meeeesmo", ela repete sozinha ao ouvir a narrativa em off de sua própria vida. Disse para o diretor: "Corta tudo. Pode cortar tudo. Corta álcool, corta crise, corta esse bando de figurante, corta o espetáculo adolescente-burguês. Isso é palhaçada, ouviu?". Então, o diretor, um tipo introvertido e pacífico, cortou. Ainda se ouviu, vindo do fundo, um princípio de vaia. Mas o fundo nunca importa. Catarina representa só para a primeira fileira.

17 July 2008

Passagem das horas

Trago dentro do meu coração,
Como num cofre
Que não se pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi
Através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto,
É pouco para o que eu quero.
(FP)

02 July 2008

O mistério das pombinhas

No outro dia, estava prestes a dormir quando uma revelação me tirou da cama. Eu havia decifrado o mistério das palomitas de maíz! Conheço a tradução há cerca de dez anos: pipocas. Mas só depois de tanto tempo entendi que os grãos de milho estourados assumem o aspecto de pombinhas. É um gênio quem inventou essa expressão. Nunca mais voltarei a comer pipocas sem lembrar que são, na verdade, pombinhas de milho.